Blumenau, quinta-feira, 16 de abril de 2026
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O amor fortalece e o respeito une gerações
Recentemente, tem sido cada vez mais comum muitos adultos revelarem que foram tardiamente diagnosticados como portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). E esse fenômeno revela muito sobre como a compreensão da neurodivergência evoluiu. A divulgação de informações sobre o TEA permitiu que muitas pessoas se identificassem e passassem a procurar por ajuda para um problema que as acompanhava ao longo da vida. Assim, até então, muitas pessoas passaram a infância e a juventude aprendendo a lidar sozinhas com os sintomas, como a dificuldade de comunicação, interação social, sensibilidade sensorial ou necessidade de rotinas restritas, muitas vezes sendo vistas como apenas “tímidas”, “distraídas” ou “diferentes”. Por muito tempo, o autismo foi visto quase exclusivamente como uma condição infantil, frequentemente associada a estereótipos rígidos que tomavam como referência unicamente os casos severos.
Receber o diagnóstico na fase adulta costuma suscitar sentimentos mistos. Por um lado, sabemos que a confirmação do diagnóstico pode proporcionar alívio pelo esclarecimento de muitas dúvidas cultivadas ao longo da vida. Por outro, outras preocupações podem advir dessa realidade, surgindo medos e a necessidade de ressignificar experiências passadas. Em ambos os casos, o diagnóstico não muda quem a pessoa é, mas oferece uma explicação, autoconhecimento e aponta para novas possibilidades de cuidado.
Mesmo que tardio, o reconhecimento do autismo no adulto possibilita o recebimento do apoio adequado, como acompanhamento médico, psicológico, orientações terapêuticas e estratégias que favorecem o bem-estar, a autonomia e a qualidade de vida. Além disso, contribui para a valorização da neurodiversidade, reforçando que cada pessoa tem seu modo de perceber, sentir e se relacionar com o mundo. Por isso, o quebra-cabeça colorido tornou-se o símbolo mais difundido do autismo, remetendo simbolicamente à complexidade do espectro. Essa mudança reflete uma nova perspectiva: o autismo é interpretado como uma variação natural da experiência humana, da qual não é preciso cultivar culpa ou vergonha.
Portanto, falar sobre autismo na vida adulta é promover informação, reduzir estigmas e ampliar o respeito às diferenças - em todas as fases da vida. Caso seja pertinente, procure ajuda médica e psicológica. Vídeos e textos encontrados na internet são muito eficientes para divulgação científica, mas não substituem a avaliação realizada por profissionais da saúde.
TEXTO: Karine Momm (Assistente Social – CRESS 7597) e Martinus Koepsel (Psicólogo - CRP 12/06446)
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